Rascunho I

por samanthatoledo

Quando Otávio alisou-lhe o pulso com sua espada de esgrima clássica, Soraia reviu-se criança, vestindo-se de anjo para acompanhar a Maria Madalena na procissão de Semana Santa, “Está belíssima, minha filha, mas vista um agasalhinho por baixo da túnica, para não sentir o gelado do cetim”, “Não quero; a túnica fica mais bonita sem agasalho por baixo”; armazenando todas as suas lágrimas infantis em tacinhas, como uma preciosa oferenda, desde que soube que um santo o fizera; estudando com energia. Lindíssima, frágil, esnobe, forte. Otávio nunca a compreenderia, tampouco seria complacente com seus sofrimentos como sua família quando soube que ela – então uma menina magrinha de cinco anos – havia sido impiedosamente unhada na piscina do clube por uma coleguinha mais velha…